No primeiro censo demográfico, realizado em 1872, a cidade de São Paulo tinha pouco mais de 30.000 habitantes, ocupando um modesto espaço na colina entre o Tamanduateí e o Anhangabaú, passando para cerca de 18 milhões, na atualidade, se considerarmos toda a área urbanizada da Região Metropolitana, cuja superfície construída já ultrapassou 2.000 quilômetros quadrados, sendo a maior situada em área de clima tropical úmido em todo o globo.
Esse vertiginoso crescimento desencadeou transformações radicais no quadro natural, especialmente na cobertura vegetal, na rede hidrográfica, no relevo e nas características do clima.
Neste último aspecto, a alteração doa balanço da energia ao nível a superfície, em virtude dos diferentes índices de reflectância da radiação solar, conforme sejam áreas vegetadas ou cobertas de cimento e asfalto, configurou-se um novo clima com um perfil acentuadamente distinto do original. A concentração de energia produziu elevação da média térmica e conseqüente “ilha de calor” urbano, a qual, por sua vez, tornou mais raro o fenômeno da garoa, tão comum no passado, em virtude da redução da umidade relativa e elevação da temperatura do ponto de orvalho. As chuvas tornaram-se mais volumosas e torrenciais, assim como, mais freqüentes, as ocorrências de granizo.
Tudo isso concorreu para agravar os transtornos urbanos e a qualidade de vida da população.
Os efeitos climáticos indesejáveis da acelerada expansão urbana de São Paulo poderiam ter sido atenuados se houvesse áreas verdes e superfícies líquidas muito mais extensas e distribuídas de forma equilibrada no conjunto da área construída, além de outras medidas ditadas pela racionalidade urbanística adequada ao ambiente do trópico úmido onde se encontra a cidade.