No inicio da década de 1980, quando eu cursava o bacharelado e a licenciatura do curso de geografia, cansei de escutar de alguns alunos e professores que a ciência geográfica estava em crise, e que seus dias estavam contados.
Era a profetização do fim da geografia. Durante a década de 1990 o mesmo discurso continuou a ser pregado, tornando-se uma marca registrada em nossos cursos universitários. No início do século XXI, houve uma diminuição dos profetas do apocalipse geográfico, porém, mesmo assim, alguns continuaram insistindo no tema.
Hoje, 30 anos depois, nada de apocalíptico aconteceu à geografia. Na realidade, ocorreu uma diversificação e ampliação do campo de atuação da ciência geográfica, com a produção de grandes trabalhos científicos em vários seguimentos, como na área ambiental, para se ficar em apenas um exemplo.
Neste 29 de maio, dia do geógrafo, me veio um pensamento: já que a geografia não vai acabar, ou, enquanto ela não acabar, que seja, vamos parar de pregar o nosso fim, como alguns fazem, vamos assumir nosso real e importante papel dentro do campo cientifico, pois as balelas de quem não produz não colaboram com o fortalecimento da ciência.
Abram jornais, livros e mentes e vejam que, como nunca, o mundo hoje precisa de geógrafos e professores de geografia capazes de colaborar com interpretações e soluções socioambientais de que o planeta vai necessitar nas próximas décadas, cabendo à nossa ciência um papel fundamental aos desamparos desse mundo globalizado.
Estejam certos de que, por mais que alguns preguem seu fim, a nossa velha ciência geográfica mostra-se mais nova, viva e produtiva do que nunca.
Parabéns geógrafos pelo seu dia. Parabéns àqueles que dedicam a própria vida à da geografia.