-- Território Geográfico Online --

Ano 05 - Nº 17 - Agosto de 2010

 -   Território Geográfico Online - A revista eletrônica onde conhecimento e aventura andam juntos! Obrigado pela visita. Assine o nosso livro.

.

Artigos Científicos

.

Busca no site

.


Território Geográfico


Território Geográfico Onlien no Orkut

   

Impacto sobre a natureza

Biodiversidade e sociedade – Autor: Emil Freddi

Ano 05 - Nº 16 - Junho de 2010


Vivemos um período marcado pela complexidade nas relações internacionais e nacionais com problemas financeiros e sociais de grande abrangência e desdobramentos. A repercussão de processos de extensa magnitude atinge cada vez mais a coletividade humana e a natureza do planeta. Os avanços em determinadas tecnologias permitem condições excepcionais para o desenvolvimento nos campos sociais, econômicos, financeiros e científicos. A cada momento surgem novidades tecnológicas quem vem ajudando a solucionar problemas que afligem a humanidade desde há muito tempo.

A forma como o Homem se organizou ao longo do tempo em espaços de convívio e utilização, fizeram surgir e desenvolver conceitos caros à Geografia como território, paisagem, região e lugar. Em algum momento a necessidade de organização política favoreceu a concepção ideológica. Junto à natureza e sobre a unidade básica de sobrevivência - o território – convergiu-se para a idéia moderna de Estado como unidade política, social, econômica e financeira. Sujeita a pressões internas e externas, com demandas por variados graus de ação ou inação, mobilização ou não, seus efeitos dentro de um processo tão complexo são bem conhecidos. Principalmente, se considerarmos os interesses comerciais de vários grupos a partir de pensamentos, necessidades e ações. O desenvolvimento dos transportes, da comunicação e da informática coloca frente ao jogo de interesses a premência de soluções inéditas e criativas, propostas em sucessões cada vez mais rápidas e menos espaçadas, para que se esteja sempre à frente. A qualquer custo.

Os interesses e o potencial técnico alargam os horizontes em um processo de arrasamento das distâncias colocando os homens cada vez mais em contato direto facilitado por instrumentos de comunicação menores e mais acessíveis. Com exceção da África Subsaariana, vivemos em um mundo com informações, notícias, lazer em tempo real. Uma sociedade instantânea. Começamos a superar as idéias de Estado no conceito nacional? Quando vemos práticas disseminadas de hábitos e consumo em quase todo o mundo, notamos que o Homem tem chances de ser cada vez mais individual em seus anseios e vem cada vez mais sendo atendido em seus desejos. E ao mesmo tempo, nunca fomos tantos e tão espalhados pelo mundo ocupando parcelas significativas da natureza. As demandas mínimas de consumo de sobrevivência atingem números expressivos. A obtenção de água, comida e abrigo para bilhões de pessoas constitui-se num desafio para qualquer nível de administração e gestão. Embora a discussão ambiental esteja em foco no mundo todo não se pode esquecer que a Terra é insensível aos nossos desejos e passa por ciclos naturais desconhecidos, em muitos casos, em que nada podemos fazer para intervir em seus mecanismos de modo mais completo. Ao contrário, os estudos e pesquisas tentam possibilidades de uso da natureza de modo cada vez mais intensivo no processo incessante de crescimento. Deve-se considerar cada vez mais o fato de que o planeta, como forma de sustento de toda a humanidade, é limitado. Nas palavras de Christian Comelian, “que crescimento e para que futuro?” Ou ainda como diz o professor Ignácy Sachs, “quanto é suficiente em termos de consumo material?”.

O planeta nunca foi tão estudado, pesquisado e revirado e as descobertas se sucedem. A informática possibilitou a criação de bancos de dados com enormes capacidades de armazenamento. Modelos matemáticos permitem projeções de situações e cenários futuros que pesam na tomada de decisões e medidas na tentativa de resolver problemas hoje para não lidar com tragédias amanhã. Ecossistemas como a Amazônia, Cerrado e Mata Atlântica no Brasil, sofrem com a expansão da fronteira agropecuária com perda de biodiversidade.

A Floresta Amazônica teve um desmatamento de 156.893 km² entre 1992 e 2000 com tendência de aumento ao longo da década de 2000 devido à expansão da fronteira agropecuária, com criação de gado, cultivo de soja e exploração de madeira. O Cerrado está sob ameaça de extinção: no período de 1997 a 2000 a produção de soja em Rondônia saltou de 4,5 mil toneladas para 45 mil toneladas, um crescimento de 1000%, sobre áreas de Cerrado. A Mata Atlântica, apesar de protegida por lei federal, manteve ritmo acelerado de desmatamento com perda de 500 mil hectares, redução de 5,7% da cobertura vegetal entre 1990 a 1995.

Em face aos desafios do crescimento social e econômico cada vez mais se deve considerar o planejamento estratégico e não exaustivo de produção, privilegiando a sustentabilidade. Mecanismos de auto-regulação como certificação florestal, tem sido implementados de modo acelerado oferecendo informações aos consumidores sobre a procedência dos produtos que pesam na decisão de compra, tornando-os atores fundamentais na exclusão de produtos de origem predatória. São exemplos de ações que tem seu funcionamento otimizado na proporção em que a população tenha acesso a informação e participe de campanhas educacionais. Práticas sustentáveis, melhoria de rendimento nas áreas agrícolas já apropriadas e utilização racional de áreas subaproveitadas teriam importância na manutenção do binômio natureza com desenvolvimento social e econômico. O estudo da biodiversidade dos biomas brasileiros pode gerar riqueza e crescimento econômico na forma de novos medicamentos e novas fontes de biocombustível. Investimentos na produção de conhecimento e capacitação de mão de obra também são ferramentas do processo. No embate entre o capital e o planejamento estratégico nacional, existe a real possibilidade de se produzir e ocupar o espaço em larga escala com relativo pouco impacto sobre a natureza.