-- Território Geográfico Online --

Ano 05 - Nº 17 - Agosto de 2010

 -   Território Geográfico Online - A revista eletrônica onde conhecimento e aventura andam juntos! Obrigado pela visita. Assine o nosso livro.

.

Artigos Científicos

.

Busca no site

.


Território Geográfico


Território Geográfico Onlien no Orkut

   

Tradição juinense

Recursos hídricos: o desperdício pode acabar com eles – Autora: Marina Silveira Lopes

Ano 05 - Nº 16 - Junho de 2010

Parque Nacional do Juruena



A vida veio da água, logo, sem água não há vida em nossa Terra!

 

Preservá-la é uma condição sine qua non de sobrevivência para a humanidade. Um planeta batizado de Terra que num paradoxo engraçado tem sua superfície moldada por quase um bilhão e quatrocentos milhões de quilômetros cúbicos de água. Substância essa que apresenta gosto salgado em 97% de seu volume, sendo os 3% restantes, insípidos. Entretanto, desse volume insípido, somente 1/3 é destinado para o consumo humano. Os 2/3 restantes encontram-se em estado sólido nas geleiras e calotas polares – em breve esse índice pode mudar, face o aquecimento global - e mais uma fração que fica na atmosfera sob forma de vapor d’água. 

 

Sabemos que a água doce é essencial para o abastecimento e o consumo humano (num sentido lato de existência) ao qual está ligado o desenvolvimento industrial, as práticas agrícolas e a manutenção da biodiversidade dos ecossistemas que nos envolvem.

 

Entretanto, dentro desse 1% de água doce destinada ao consumo humano, temos que levar em conta os índices de potabilidade. A água potável, sem quaisquer resquícios de sujeira, fica restrita à pequenas áreas no planeta, uma vez que a ação antrópica atua de maneira insistente na implantação progressiva de atividades econômicas que se aliam a uma grande aglomeração humana desordenada. Essa combinação de fatores leva à degradação ambiental e ao mau uso da água, interferindo na manutenção e adequação aos recursos hídricos de uma dada região geográfica.

 

Tal situação pode ser vivenciada, aqui, na região amazônica, onde a abundância dos recursos hídricos faz dessa região uma das mais importantes quanto aos índices de potabilidade. E onde tem abundância, tem exagero por parte daqueles que acreditam que a água potável é um recurso renovável, afinal, o ciclo da água é ininterrupto. Ao que as pessoas não se atentam é que a qualidade da água está, a cada dia que passa, mais comprometida.

 

No Estado do Mato Grosso já se pode sentir os efeitos da chuva ácida, intoxicada pelas grandes quantidades de agrotóxicos utilizados nas grandes lavouras de sojas. O uso irregular da água potável na região do Noroeste do Estado do Mato Grosso acontece por carência de informações aos usuários ou por falta de implemento do governo.

 

O Noroeste do Estado do Mato Grosso situa-se na Bacia Amazônica, tendo como sub-bacias as do Alto Arinos, do Baixo Arinos e do Extremo Noroeste do Estado (Aripuanã). Os recursos hídricos compõem uma extensa rede de drenagem formada pelos rios Juruena, Aripuanã, Roosevelt, Guariba, Madeirinha e seus afluentes. Os recursos hídricos nessa região são importantes para o ecoturismo, a pesca esportiva, a geração de energia, o lazer e a sobrevivência das comunidades ribeirinhas.

 

De acordo com a Política Estadual de Recursos Hídricos, CAPITULO II – Princípios do Setor:

 

Art.3º.  Esta lei proclama os seguintes princípios básicos do setor de recursos hídricos

I - Usos múltiplos; todos os tipos de uso terão acesso aos recursos hídricos, devendo a prioridade de uso obedecer a critérios sociais, ambientais e econômicos;

II - Adoção da unidade hidrográfica: a bacia hidrográfica como unidade físico-territorial de planejamento e gerenciamento dos recursos hídricos;

III - Valor econômico da água: os recursos hídricos constituem um bem econômico, dotado, portanto, de valor econômico.

Parágrafo único. O abastecimento humano e a dessedentação de animais terão prioridade sobre todos os demais usos.  

 

Mesmo disposto em lei e regulamentado o uso dos recursos hídricos, há um desperdício muito grande de água potável no município de Juína, cidade polo do Noroeste do Mato Grosso. É de costume lavar quintal, calçada e até mesmo a rua com água potável. Para a população, a culpa de tal desperdício é o período da seca, no qual um “poeirão” vermelho invade as casas. Assim, é uma cena corriqueira nos meses de maio a setembro ver inúmeras mangueiras serpenteando os lugares públicos com esguichos de água potável que, na maioria das vezes, é retirada do poço de cisterna.

 

Trata-se de uma tradição juinense que, mesmo depois do departamento de água regularizar a distribuição da água encanada, a população ainda acredita que é mais viável e barata a utilização da água retirada diretamente dos lençóis freáticos que irrigam o subsolo desse município.

 

Tem-se feito campanhas e eventos alertando a população para o fato de que o desperdiço pode levar a falência desse recurso, porém, quando olham para a imensidão do Rio Jurena, pensam: “Isso é impossível”.

 


O Parque Nacional do Juruena pertence a um dos cinco corredores da Amazônia desenhados no projeto Corredores Ecológicos do Ministério do Meio Ambiente, com o nome de Corredor dos Ecótones Sul Amazônicos, que se estende desde o Estado de Rondônia até o Estado do Tocantins.